Novo Toyota Corolla

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Toyota Corolla não se envergonha de “cara de tiozão”
Conservador, novo modelo se concentra em mudanças no interior para voltar a posição de destaque
Fotos: Divulgação

(25-03-08) - A história da revelação do Toyota Corolla, na semana passada, diz muito sobre o novo lançamento. As primeiras imagens que recebemos foram do interior do carro. Conservador, o Corolla não tem vergonha de ser um “carro de tiozão”. Longe de ser um demérito, é parte da estratégia de sua fabricante, a de sempre apostar no que é seguro ou, em palavras mais ao gosto do brasileiro, a de não mexer em time que está ganhando. A questão é que já tem algum tempo que o Corolla não ganha nada.

Segundo dados da Fenabrave, o campeão do segmento é o Honda Civic, com 13.415 unidades vendidas. Em segundo lugar vem o Chevrolet Vectra, com 5.850 unidades e, pouco depois, o Corolla, com 5.145 carros vendidos este ano. Em suma, nem se o Chevrolet e o Toyota juntassem forças eles conseguiriam ameaçar a sólida liderança do modelo da Honda. O recomendável, portanto, seria a Toyota ter ousado um pouco mais.

O aspecto positivo do novo modelo, que é chamado pela empresa de décima geração, é que ele, descontadas algumas diferenças cosméticas (faróis e grade dianteira), é exatamente o mesmo que é vendido nos EUA e na Europa. Pode-se até achar que o modelo merecia uma reformulação mais profunda, mas pelo menos isso não é, como costuma acontecer, um problema restrito ao mercado brasileiro.

Apesar de trazer linhas mais modernas, especialmente na dianteira e na traseira, remetendo ao Camry, o Corolla manteve praticamente a mesma aparência e as mesmas medidas do modelo anterior. A plataforma, ainda que bastante modificada, é a mesma, o que nos impede, por rigor técnico, de chamar o sedã de “décima geração”.

Se por um lado isso pode ter um apelo baixo para a conquista de novos compradores, especialmente dos mais jovens, como a Toyota diz pretender, acaba deixando os atuais bastante satisfeitos, uma vez que a tendência de desvalorização do modelo que sai de linha é menor.

Como não tem um impacto visual forte, como o que o Honda Civic conseguiu e ainda consegue, o apelo de vendas do sedã da Toyota ficará restrito a alguns aspectos. Um deles é o interior mais requintado. Os painéis central e das portas agora se integram. Com isso, o habitáculo transmite uma sensação de segurança, de solidez, como se os ocupantes estivesse dentro de uma cápsula. Nisso, entretanto, o Corolla apenas se equiparou ao Civic.

Restaria ao Toyota o apelo do preço. Ele ficou em R$ 62 mil para a versão XLi manual, R$ 66 mil para a XLi automática, R$ 68,5 mil para a XEi manual (R$ 70,4 mil com bancos de couro), R$ 72,5 mil para a XEi automática (R$ 74,5 mil com couro) e R$ 87,3 mil para a SE-G, que já vem com couro e transmissão automática.

O alvo do novo modelo é evidentemente o líder do segmento. O Honda Civic, na versão de entrada, a LXS, custa R$ 65,46 mil. Contra ele, portanto, o Corolla se mostraria um excelente competidor, não fossem as rodas de aço de aro 15”, a falta de alarme com controle de abertura das portas da versão XLi e a suspensão por eixo de torção na traseira, contra o sistema de braços triangulares sobrepostos do Honda.

O Corolla, em compensação, tem porta-malas de 470 l e computador de bordo. Estes são itens que podem ser muito mais úteis que os que o Civic oferece a mais, mas eles conferem ao competidor da Honda uma maior percepção de valor, especialmente no mercado brasileiro, que valoriza, mais do que qualquer outro, a aparência do automóvel.

A versão em que a Toyota mais aposta, a XEi, começa nos R$ 68,5 mil, bem mais, portanto do que a LXS, do Civic. Se o modelo XLi chegasse por um valor pouca coisa superior ao do modelo antigo, que saía por R$ 57.413, o novo Corolla talvez tivesse mais peso para conquistar o consumidor.

Em relação a outros competidores, como o Chevrolet Vectra, o preço do Corolla o coloca em desvantagem. O do Chevrolet começa nos R$ 56.974; o do Renault Mégane, em R$ 56,06 mil e o do Nissan Sentra, importado do México, em R$ 58.695. E não são modelos, fora o Vectra, com tanto tempo a mais de mercado.

A última arma à disposição do Corolla, e possivelmente a mais importante, é a experiência de dirigi-lo. Dessa você terá um gostinho na sexta-feira, quando traremos a avaliação do novo sedã médio brasileiro. Fique atento!

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