Nissan Tiida SL

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Suave e bem construído, Nissan Tiida SL dá gosto de dirigir
Modelo importado do México tem um dos conjuntos mecânicos mais redondos de seu segmento
Fotos: Divulgação

(06-01-08) - O nome do Nissan Tiida se inspira no termo inglês tide, maré, em inglês. Apesar de estranho, ele combina bem com o carro. A trajetória do Tiida no Brasil parece mesmo guiada pelos caprichos do mar.

Quem pegou uma maré baixa foi o preço da versão básica, a S, que caiu dos R$ 53,29 mil do lançamento para os atuais R$ 52.115. Em compensação, o valor da versão SL manual, que avaliamos, subiu de R$ 63,59 mil para R$ 63,8 mil.

As vendas do carro também não fazem ondas grandes, não a ponto de dar caldo nos concorrentes. Em dezembro, segundo dados da Fenabrave, ele teve 307 unidades vendidas, contra 333 de novembro. No acumulado (ele foi apresentado no final de julho), foram só 1.462 unidades, menos do que o Ford Focus vendeu só no último mês de 2007 (1.501).

É certo que o Tiida não tem uma versão abaixo dos R$ 50 mil, o que inibe grandes volumes, mas não justifica o nível atual de vendas. Para comparar, basta pegar o Chevrolet Vectra GT. Com valores iniciais de R$ 60 mil para cima, o novato vendeu 1.158 unidades em dezembro do ano passado.

O que atrapalha mesmo o Nissan é o fato de a rede de distribuição da marca ser significativamente menor que a da Chevrolet, por exemplo. São 64 da marca japonesa contra 433 da americana, o que dá, proporcionalmente, um resultado muito melhor para o Tiida do que para o Vectra GT.


Apesar de as vendas ainda estarem muito abaixo do potencial do carro, a Nissan certamente não está desapontada com seu desempenho. Afinal, ela esperava vendas de 260 unidades por mês e 1.300 carros até o fim de 2007. Águas tranqüilas, mas quem disse que isso é bom, em vendas?

O que primeiro chama a atenção no carro é seu estilo atual e agradável, sem grandes ousadias, feito para não pecar pelo excesso. Ele remete a modelos da própria Nissan e de outras empresas, sempre pelo aspecto que faz os tais modelos serem mais desejados, como a traseira do Peugeot 307, as lanternas do 350Z, a grade dianteira do Murano e por aí afora.

Quando se entra no carro, o que agrada é o largo banco dianteiro, que acomoda com muito conforto o motorista, o acabamento bem feito, com materiais de boa qualidade, a boa ergonomia e uma excelente sensação de espaço.

Na versão SL, também chama a atenção a versatilidade, uma vez que a fileira do banco traseiro corre por trilhos. Isso permite ampliar a capacidade do porta-malas de parcos 289 l para excelentes 463 l. Além de regulável em distância, o banco traseiro também reclina, o que permite uma posição de descanso para seus ocupantes em cruzeiros prolongados.

De todo modo, é para quem vai atrás de seu volante (ou seria timão?) que o Tiida mostra a que veio (e foi pena ter demorado tanto a chegar). O motor 1,8-litro do hatch responde divinamente aos comandos do acelerador, servindo com brilho tanto ao motorista mais pacato quanto ao mais arrojado. Para o primeiro, o bom torque em baixas rotações evita a necessidade de acelerar; para o segundo, tanto faz se é necessário ou não pisar no pedal da direita. O fato é que é muito bom fazer isso. O ponteiro do conta-giros sobe com vontade, progressivamente.

O câmbio de seis marchas é daqueles que fazem até fãs radicais de automáticos pensarem em sacrificar o conforto. Os engates são precisos, suaves, exatamente do jeito que toda transmissão manual deveria ser.

Esse belo conjunto casa bem com a direção do carro, precisa e suficientemente rápida, e com a suspensão, estável e confortável na medida certa, apesar de sofrer um pouco em pisos irregulares. Até buracos e desníveis fuleiros para os padrões nacionais fazem o curso da suspensão avisar que chegou. E a pancada seca que ele dá não é nada amistosa.

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